A paixão me arrebata
pelos gestos. Nada contra corpos. Nada contra genialidade. Mas o que
me fascina são os gestos. A delicadeza de compreender o outro pelo
toque. A sutileza de ler no outro através do tato. Outro dia me
disseram que me apaixono pelas cidades pequenas. Que as visito e logo
parto. A paixão pelas pequenas cidades nascem do eterno desejo de
partir. Levo-as apenas na memória – quando valeram a pena serem
visitadas – porque aprendi a desfrutá-las pelo retrovisor. O olhar
não se demora na paisagem. O olfato não se prende na ilusão. O
desejo de partir é sempre maior que o desejo de desvendar. O
desnudar da rotina não me apraz. Só o gesto me comove. Os gestos
falam das paixões em mim. Nesse dia, quando me disseram das cidades-
percebi: há cidades pequenas que por um momento foram
metrópoles, só faltaram os gestos.
Imagem: http://www.panoramio.com/photo/18830438


Nenhum comentário:
Postar um comentário