quinta-feira, 6 de março de 2014

Eu e as cidades.

A paixão me arrebata pelos gestos. Nada contra corpos. Nada contra genialidade. Mas o que me fascina são os gestos. A delicadeza de compreender o outro pelo toque. A sutileza de ler no outro através do tato. Outro dia me disseram que me apaixono pelas cidades pequenas. Que as visito e logo parto. A paixão pelas pequenas cidades nascem do eterno desejo de partir. Levo-as apenas na memória – quando valeram a pena serem visitadas – porque aprendi a desfrutá-las pelo retrovisor. O olhar não se demora na paisagem. O olfato não se prende na ilusão. O desejo de partir é sempre maior que o desejo de desvendar. O desnudar da rotina não me apraz. Só o gesto me comove. Os gestos falam das paixões em mim. Nesse dia, quando me disseram das cidades- percebi: há cidades pequenas que por um momento foram metrópoles, só faltaram os gestos.  



Imagem: http://www.panoramio.com/photo/18830438



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