quarta-feira, 30 de julho de 2014

Sobre as horas.

Crio uma crônica pura. Sou Deus. Elejo pilares.
Teço a criação sem muita ponderação e transpiração, num puro passionalismo.
O passado não pondera. O futuro não passa pela retina.
Ambos são indomáveis. Se no outro há melancolia, nesse há esperança.
Não me diga acerca do esperar. Nada espero. Tudo espero. Respiro os sentires todos.
O advir há de vir. Mutável. Divino. Vanguarda. Porque há o hiato inominável harmonizando pontes.
Afinal, não há pureza. O mundo é lama.
Mas não se engane. Não falo da noite. Tampouco do dia. Apenas sinto " a hora perigosa".
E ela passa todos os dias. Como uma crônica envelhecida pelo agora. 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Eu e as cidades.

A paixão me arrebata pelos gestos. Nada contra corpos. Nada contra genialidade. Mas o que me fascina são os gestos. A delicadeza de compreender o outro pelo toque. A sutileza de ler no outro através do tato. Outro dia me disseram que me apaixono pelas cidades pequenas. Que as visito e logo parto. A paixão pelas pequenas cidades nascem do eterno desejo de partir. Levo-as apenas na memória – quando valeram a pena serem visitadas – porque aprendi a desfrutá-las pelo retrovisor. O olhar não se demora na paisagem. O olfato não se prende na ilusão. O desejo de partir é sempre maior que o desejo de desvendar. O desnudar da rotina não me apraz. Só o gesto me comove. Os gestos falam das paixões em mim. Nesse dia, quando me disseram das cidades- percebi: há cidades pequenas que por um momento foram metrópoles, só faltaram os gestos.  



Imagem: http://www.panoramio.com/photo/18830438