quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Olhar distante nesses dias em que a miséria humana - minha e do todo - reina triunfante nesse mundo insano. Quem dera tivesse paz não só "entre os homens de boa vontade", e sim, na vontade que vai no íntimo. Mas está sujo, enlameado até a penúltima geração. Todos doentes de um mal secreto. Todos míopes. Todos...normais!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Calçada Infame

Não escrevo crônicas. Não as sei. Escrevo poesia. Não literal. Poesia do viver. Poesia no observar do correr dos dias, com suas mazelas e belezas. Hoje mesmo, de súbito, me atentei ao andarilho que por mim passou - e que passara tantos dias e nunca o havia percebido, ao menos com humanidade - encaminhou-se à casa de uma vizinha pra pedir uns trocados (para comida, para o mal moderno?), deduzo! (Por um tempo ele morou em outra casa vizinha, bem aqui ao lado da minha, uma casa em construção, dormia num sofá fétido, só que sua estadia foi interrompida pela construção de um muro ao redor da casa, justamente com a intenção de afastá-lo, e hoje enquanto pedia uns trocados, que pra quê não tenho certeza, disse, cê viu, me tiraram o lar?!). Aquela casa em construção era seu lar, sem o ser. Fora despejado sem ofício. Só porque - oficializado - não era seu lar. Mesmo que sentisse já dono daquele querer. E saiu pela rua. Num diálogo íntimo. Não maldisse a roupa suja. O mau cheiro. A ironia da vida. Os sonhos desfeitos. Os desejos freados pela falta de humanidade. (minha e do entorno) Nem a miséria de gorjeta que recebera. (cinquenta centavos) Apenas se ressentia do que lhe foi tirado. Seu lar idealizado nas noites em que a realidade se distrai e nos deixa sonhar.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Q...

Tenho todos os sentimentos do mundo em mim. Nada atravessa o horizonte de incertezas em que teço minha busca. E paro. Todos meus medos são pensamentos alheios. E curvo. Levo do tempo o escasso. Não me permito brilho. Certos momentos num relance as águas do passado retornam vibrantes. E teimo. O final das palavras já sei de cor. Aqueles gestos de delicadeza se perderam lá distantes. O sorriso que ainda vejo em cada face que o futuro me reserva também se perdeu lá distante. ?Casou. !Filhos não sei. !Amor não sei. Pra que todos esses sentimentos do mundo, se o que mais perto de mim está é só vazio?